10 de junho de 2019

DROGAS - POR BRIGAS INTERNAS, FDN PERDE FORÇA NO AMAZONAS PARA O CV E PCC


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João Branco e Zé Roberto: de ex-aliados a rivais
Uma trama marcada por supostas traições se tornou uma ameaça ao futuro da maior facção criminosa da região Norte, a FDN (Família do Norte). A guerra dentro do grupo foi responsável pelas 55 mortes dentro do sistema prisional do estado no fim de maio.

Entre os próprios membros da FDN, entretanto, há suspeita de informações falsas circularem para causar discórdia.

A facção, que já havia protagonizado outra barbárie em 2017, não briga só entre si, mas também está em disputa contra os dois maiores grupos organizados do país: o PCC (Primeiro Comando da Capital) e a CV (Comando Vermelho). Agora, as rivais devem ganhar força com a disputa interna da FDN.

Em 2017, quando houve um grande massacre no Compaj (Complexo Penitenciário Anísio Jobim) que deixou 56 mortos, o CV era aliado da FDN e a briga, na ocasião, se tratava de uma disputa com o PCC. No ano passado, a FDN rompeu com o CV, o que fez a facção perder força; o motivo da briga foi a traição de um dos então líderes da FDN.

Guerra interna
Segundo relatório Departamento de Inteligência do Sistema Penitenciário do Amazonas, as mortes desta semana teriam sido ordenadas por lideranças da FDN. "Foram motivadas pela disputa interna por poder e como forma de afirmação perante a massa carcerária", afirma o documento.

A briga seria entre dois dos fundadores e chefes da FDN: José Roberto Fernandes Barbosa, o Zé Roberto, e João Pinto Carioca, o João Branco. Ambos estão em presídios federais, mas seguem dando cartas no grupo.

O UOL teve acesso ao depoimento de um suspeito, feito segunda-feira, em que aponta o possível motivo das mortes. "A ordem do JB é para matar todos os frentes do Zé no sistema, e quando ele [Zé] voltar, é para matar também", diz.

A informação que chegou ao Amazonas é que João Branco teria brigado porque foi para o lado da CV, o que teria levado à ira de integrantes do grupo de Zé Roberto e dado início na guerra nos presídios.

Conflito entre João Branco e Zé Roberto motivou mortes

A criação de uma nova dissidência da facção criminosa Família do Norte, batizada de 'FDN Pura' ou 'Potência Máxima', foi a motivação dos 55 assassinatos ocorridos em quatro unidades no sistema prisional amazonense neste domingo (26) e segunda-feira (27). Nove dos apontados como os responsáveis pelas mortes foram transferidos nesta terça-feira para presídios federais. 

O racha entre os antigos aliados e narcotraficantes condenados João Pinto Carioca, o João Branco, e José Roberto Fernandes, o Zé Roberto da Compensa, já havia sido identificado pelo Departamento de Inteligência Penitenciária (Dipen), ligado à Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). A reportagem teve acesso a um relatório, datado do dia 22 de maio, que detalha o clima de tensão entre os traficantes. A esposa de João Branco, Sheila Maria Faustino Peres, era a responsável por levar as ordens do marido para seus aliados, mas Zé Roberto descobriu o plano, conforme apuração da reportagem.

O relatório detalha que João Branco estaria insatisfeito com os caminhos que a FDN vinha tomando sob o comando de Zé Roberto, "no que tange principalmente a venda de drogas, perda do poder da facção no Sistema Prisional Amazonense e a guerra entre facções no Estado".

Diante deste cenário, João Branco vinha trabalhando na criação de uma nova facção, a 'FDN Pura' ou 'Potência Máxima' - apelido pelo qual João Branco era conhecido no mundo do crime antes de ser preso. "Evidencia-se que há internos custodiados no Sistema que relatam obediência e lealdade somente a João Branco, corroborando para essa possível nova realidade", destaca o relatório, citando também uma declaração de guerra entre os grupos ligados a João Branco e Zé Roberto. " (...) e estas se iniciariam pelo sistema prisional, pois é onde se encontram os principais aliados e apoiadores dessas lideranças".

A reportagem apurou que a esposa de João Branco, Sheila Maria Faustino Peres, foi quem trouxe a Manaus a ordem para eliminar lideranças rivais. A orientação com os nomes de quem deveria ser morto foi levada até as unidades prisionais por parentes de detentos de confiança de João Branco, mas o plano acabou vazando. Assim, a tentativa de "golpe" foi descoberta e quem acabou morrendo, segundo levantamento preliminar, foram presos ligados ao próprio João Branco.

O cenário de confronto, como de fato ocorreu, também foi antecipado pelo Dipen, que previa o foco principal de conflito como o Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM). "Porém não se descarta que ações simultâneas possam ocorrer nas demais unidades do Estado". 

Dentre todas as unidades, o CDPM acabou sendo o que teve a menor quantidade de mortos - cinco. Foram 25 mortes no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), 19 no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) e seis na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP).

Ao citar a ameaça de confronto entre os aliados de João Branco e Zé Roberto, o Dipen destaca que "acontecimentos como este são de difícil controle por parte do Estado, pois a motivação única é a eliminação de rivais. Vale destacar que, em 2017, as informações sobre possíveis mortes no ocorridas no sistema foram antecipadas por este DI, com isso as unidades permaneceram trancadas. Entretanto, isso não impediu as mortes que ocorreram no interior das celas por internos que possuíam, até então, bom convívio".

Fontes:
1-https://amazoniaacontece.blogspot.com/2019/06/com-brigas-e-traicoes-fdn-perde-forca.html
2-https://www.acritica.com/channels/manaus/news/fdn-x-fdn-pura-conflito-entre-joao-branco-e-ze-roberto-motivou-mortes

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