26 de abril de 2019

CASO TFD - MÉDICOS SANTARENOS DESMENTEM NÉLIO AGUIAR, QUE ACUSA VALMIR PELO CAOS DA SAÚDE EM SANTARÉM

‘A OS fez uma maquiagem, mas não se tem avanços concretos no HMS e UPA’, avaliam médicos

Em entrevista coletiva, médicos revelaram que a falta de insumos, equipamentos e de profissionais têm gerado um caos na saúde em Santarém.


Por Sílvia Vieira, G1 Santarém — PA


Médicos Everaldo Martins Filho, Alberto Tolentino Filho, Luís Rodolfo Carneiro, Marina Chainni e João Fabrício na coletiva de imprensa — Foto: Sílvia Vieira/G1


A expectativa de que a gestão pela IPG (Instituto Panamericano de Gestão) fosse promover melhorias nas condições de trabalho dos médicos para um atendimento de qualidade à população de Santarém, no oeste do Pará, não está sendo correspondida pela Organização Social (OS), e os médicos que lá atuam temem que haja uma paralisação dos serviços como ocorreu no início desta semana, na UPA 24H.

O assunto foi abordado em coletiva à imprensa na manhã desta quinta-feira (25), na sede do Conselho Regional de Medicina, com a participação dos médicos: Luís Rodolfo Carneiro – diretor clínico do HMS, Alberto Tolentino Filho – vice-diretor clínico do HMS, Olívia Pinheiro, Marina Chainni, João Fabrício, Antônio Carlos e Everaldo Martins Filho.

“O que a gente vê é que para tentar organizar, houve uma maquiagem do processo. Se você for hoje no Hospital Municipal vai ver que ele está mais limpo, a comida melhorou. Mas no que diz respeito a insumos e equipamentos a gente não viu como médico nenhum tipo de avanço”, disse Tolentino Filho.

O médico trabalha no Hospital Municipal desde 1998. Segundo ele, sempre houve uma falta de insumos no período de novembro até fevereiro, os atendimentos ficavam bem complicados, mas era um problema sazonal. Mas no ano passado não foi sazonal segundo Tolentino; houve falta de insumos e dificuldades no atendimento o ano inteiro.

O médico fez um juramento para prestar o atendimento em saúde, mas não fez juramento para apanhar na unidade de saúde, para sofrer ameaças, para ser xingado. A gente precisa sim de segurança, declarou Tolentino Filho.

Tolentino Filho disse ainda que algumas especialidades médicas que atuavam dentro do hospital saíram de lá. A OS chegou ofertando plantões para médicos de ginecologia, pediatria e cirurgia geral, mas a questão salarial fez com que eles voltassem para o velho sobreaviso.

“Não teve o avanço que se esperava e a nossa maior preocupação é que a bomba estoure daqui há alguns dias no Hospital Municipal se o IPG não resolver os problemas que estão instalados lá. Como é que eu vou trabalhar com falta de dipirona e de hemograma no pronto atendimento? São processos que estão ser alargando e que a gente não pode deixar chegar ao ponto que chegou a UPA”, observou Tolentino Filho.

Paralisação da UPA
UPA em santarém está sem atendimento médico completo há três dias — Foto: Geovane Brito/G1

Sobre a paralisação da UPA em decorrência da rescisão de contrato da empresa Ribeiro, Souza e Companhia Ltda, Tolentino Filho disse que a classe médica se sentiu muito mal quando viu em alguns veículos de comunicação os médicos sendo colocados como mercenários e que esse seria o motivo do fechamento da UPA.

“A gente sabe que a real situação que aconteceu foi pela carência de médicos na nossa região. Houve situação de ter apenas um médico atendendo na UPA, quando seriam necessários 5 médicos em um plantão. Então, pela exaustão no trabalho eles pediram a rescisão do contrato. Não foi pela questão financeira, foi por falta de condições de trabalho e de segurança”, frisou Tolentino Filho.

Os médicos não querem sair como mercenários, como marginais, porque durante todo o tempo a nossa preocupação é com a garantia de atendimento da população.

Olívia Pinheiro, Alberto Tolentino Filho, Marina Chainni e João Fabrício durante coletiva de imprensa — Foto: Sílvia Vieira/G1

O diretor clínico do HMS, Luís Rodolfo Carneiro, que junto com a secretária de Saúide Dayane Lima, assinou termo de compromisso para o atendimento de reivindicações dos médicos para que os atendimentos na UPA fossem retomados ainda na noite de quarta-feira (24), disse que sabe da dificuldade da retirada da OS nesse momento, e que a Secretaria de Saúde tem quer ter responsabilidade na manutenção de certos contratos. Mas, destacou que a OS tem que ouvir os médicos, para que assim possa oferecer à população um atendimento de qualidade.

“Quando se opta por uma OS, se acredita que haverá facilidade na aquisição de equipamentos e insumos, que são coisas pontuais. Por exemplo, na gestão pelo município, se quebra um aparelho de eletrocardiograma a Semsa terá que fazer licitação; com a OS, não precisa desse processo. A classe médica foi a favor da gestão por OS baseada na experiência bem sucedida do Hospital Regional, mas no caso do IPG não funcionou como esperado”, disse Luís Rodolfo Carneiro.

Ainda sobre a situação da UPA, o vice-diretor clínico do HMS ressaltou que os médicos não podem fingir que está tudo bem, só para prestar contas do trabalho realizado. “Tem um médico lá, mas o exame não funciona. Tem o médico lá, chega uma pessoa infartada, e a gente não tem retaguarda de eletrocardiograma. A gente não é pai de santo. A gente precisa de instrumentos, equipamentos e retaguarda de laboratório para desenvolver uma medicina de qualidade para a população”, explicou.

Para Tolentino Filho, a OS IPG tem que ouvir os médicos e viabilizar meios para que o atendimento à população seja o melhor possível. Ele diz que episódio de paralisação na UPA serviu para abrir os olhos da Câmara, do Conselho Municipal de Saúde e da sociedade para a necessidade de fiscalização dos serviços de saúde e da OS.

“Tem que ter fiscalização assim como o Regional é fiscalizado pela Sespa. Não existe fiscalização de forma concreta por parte da Semsa em relação aos serviços da OS. Por isso, os médicos reivindicaram que tenha uma pessoa da Semsa dentro do Hospital Municipal, inclusive para intermediar o relacionamento dos médicos com a OS”, enfatizou.

Ao final da coletiva, os médicos destacaram que a Semsa está empenhada em resolver o problema e alguns avanços já ocorreram, como providências para instalação de eletrocardiograma na UPA e a contratação de segurança para a unidade, bem como a aquisição de insumos. A secretaria também designou a enfermeira Alba Leal para intermediação do diálogo dos médicos com o IPG.

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