24 de maio de 2018

BRASIL - CINEASTA QUE FEZ PROTESTO EM PARIS, GANHOU DINHEIRO NO GOVERNO PETISTA

Kleber Mendonça Filho, diretor de 'O Som ao Redor', durante premiação na zona oeste paulistana, em março de 2017 - Bruno Poletti/Folhapress

O grande e famosíssimo cineasta brasileiro (?), Kléber Mendonça Filho, aquando da exibição de seu filme 'Aquarius' em Paris, juntamente com sua equipe, produziu  deprimente cenas de protesto contra o governo de Milchel Temer que, diga-se, era parceiro da golpeada Dilma. Mas até aí, tudo bem, pois ainda não se sabia que o famoso diretor usufruiu, ilegalmente e imoralmente, das benesses do governo petista para captar dinheiro para seu filme "O Som ao Redor", pois conforme matéria de Marco Aurélio Canônico, em 2009, o diretor Kleber Mendonça Filho se inscreveu num edital do Ministério da Cultura buscando verba para bancar seu primeiro longa, “O Som ao Redor”.

O edital era voltado a filmes de baixo orçamento, e um de seus artigos definia claramente o que isso significa: são as obras “cujo custo de produção e cópias não ultrapasse o valor de até R$ 1,3 milhão”.

Havia uma outra parte do edital, chamada “dos impedimentos e motivos para indeferimento da inscrição”, que repetia a informação: “projeto com orçamento superior a R$ 1,3 milhão” não poderia se inscrever.

O filme de Mendonça Filho tinha um custo inicial previsto de R$ 1,5 milhão. Não poderia, portanto, ter se candidatado ao tal edital. Acabou sendo um dos vencedores dele, apesar disso. Uma vez contemplado, ainda aumentou os custos para R$ 1,9 milhão e acabou captando R$ 1,7 milhão.

A discrepância entre o valor do filme e o teto do edital foi identificada na Ancine em 2010, mas a liberação da verba acabou sendo aprovada. Em 2012, ainda sob o governo Dilma, iniciou-se uma investigação que resultou, no início deste mês, num pedido de devolução integral da verba captada.

Após a Folha noticiar essa história, nesta terça (22), as redes sociais se encheram de gente acusando o MinC de perseguição política, pelo protesto que o diretor fez em Cannes contra o atual governo, em 2016. À luz da informação disponível, é difícil encampar essa tese.

Com este texto, despeço-me desta coluna. Nestes quase dois anos em que escrevi aqui semanalmente, o Rio degringolou de modo tão acelerado quanto triste, até chegar ao atual estado acéfalo, sem governo e sem direção.

O fim desta fase, no entanto, avizinha-se, trazendo consigo a possibilidade de mudança. Que aproveitemos todos a chance de recomeçar. Aos leitores, agradeço pela atenção.

Marco Aurélio Canônico

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