25 de fevereiro de 2018

PARÁ - PMs ESTÃO MARCADOS PARA MORRER

Policiais militares do Pará estão na lista de marcados para morrer


“Se eu não for transferido (de cidade e batalhão), eu vou ser morto!” 

Essa declaração foi feita por um oficial PM do 24º Batalhão de Policiamento Militar, em Belém, que na última quarta-feira (21) registrou o terceiro Boletim de Ocorrência Policial após receber ameaças de morte. O policial está com medida protetiva desde o ano passado, quando passou a receber mensagens enviadas por bandidos avisando que ele “vai levar sal” (gíria usada para dizer que vai ser assassinado).

Segundo o policial, uma das ameaças que ele recebeu partiu de dentro de um presídio do Estado. O oficial PM já pediu a transferência de batalhão e a mudança de cidade, pois agora teme pela segurança da própria família. “Eu não saio mais, não tenho liberdade nem privacidade. Me sinto uma pessoa presa dentro da própria casa”, desabafou o policial.

No aparelho de telefone celular, o PM tem 3 vídeos em que mostram a provável lista de agentes de segurança pública que suspostamente estão marcados para morrer. Além de policiais militares – isto inclui homens da Ronda Tática Metropolitana (Rotam) e do Comando de Operações Especiais (COE) -, na gravação ainda aparecem fotografias de guardas municipais de Belém, delegados, policiais civis e também de um rapaz com uma farda do Exército.

Estes vídeos, na verdade, são clipes com músicas cujas letras teriam sido escrita por bandidos que tentam intimidar os agentes de segurança pública. O trecho de uma das músicas diz que “quem se meter com a gente vai morrer”. Enquanto a música toca, fotografias dos policiais ficam passando. Sobre algumas fotos foram escritas as palavras como “sal” e “miliciano”. Também aparecem imagens de policiais que já foram assassinados nos últimos meses.

O primeiro B.O. que o oficial registrou foi em agosto do ano passado. “A corporação me incluiu num programa de medida protetiva, mas, mesmo assim, preciso me mudar de Belém por causa da minha família”, reforça o PM.

Questionado sobre a que ele atribui receber as ameaças, o policial reforça que tem muitos anos de farda e que sempre atuou na linha de frente do combate ao tráfico de drogas e roubos. “O policial que é muito operante incomoda bandidos, chefes de tráfico”, pontuou.

A vice-presidente da ACSPMBM-PA, cabo PM Cristina, diz que a situação é de extrema gravidade. Ela reuniu a diretoria para elaborar ofício ao secretário de Segurança, pedindo providências urgentes. (Foto: Celso Rodrigues)

Policiais e Bombeiros Militares cobram providências da Segup

Para a Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiros Militar do Estado do Pará (ACSPMBM-PA), o cenário de segurança – ou da falta dela – em que a sociedade paraense demonstra que o conflito entre policiais e bandidos chegou a um nível de guerra civil. “Hoje é uma guerra declarada”, frisou a vice-presidente da associação, a cabo PM Cristina, que reforça que a entidade não tem como quantificar o total de policiais que estão sofrendo ameaças de morte. “Hoje, o policial que vestiu a farda para trabalhar é alvo de bandido”, ressaltou.

“Seja para ter a arma roubada ou para ser vítima de homicídio, qualquer policial está em evidência”, acrescentou a cabo PM. “Hoje, todos os policiais estão vivem apreensivos pelo que pode vir”.

Neste cenário de guerra, como a associação bem descreve, os números confirmam que as baixas na PM estão aumentando e que, se não houver mudanças nas políticas de Segurança Pública e investimentos para a melhoria do trabalho da Polícia, mais agentes de segurança serão assassinatos. “Sem dizer que não é somente a polícia que é prejudicada. O cidadão comum também está inseguro”, comenta Cristina.

De 1º de janeiro de 2017 até a última sexta-feira (23), a ACSPMBM-PA aponta que 43 policiais militares e bombeiros militares foram assassinatos no Estado. Em média, nestes 14 meses, a cada 9,74 dias um policial é morto no Pará. A média deste ano de 2018 é de um PM assassinato a cada 6 dias.

Por medidas de segurança, a Associação também não divulga nomes de policiais e bombeiros ameaçados para morrer, mas reitera que o número de policiais que tem solicitado a troca de batalhão por causa deste tipo de ameaças aumentou. “Estamos acompanhando o caso de um bombeiro de Altamira (sul do Pará) que teve a casa invadida por bandidos que o ameaçaram de morte. Na ação, eles fizeram refém o filho deste bombeiro”, comentou a vice-presidente da ACSPMBM.

Na última sexta-feira (23), a diretoria da ACSPMBM se reuniu para elaborar um documento que será encaminhado ao secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, Luiz Fernandes, que voltou a assumir a Segup esta semana. “Vamos protocolar um ofício e pedir uma reunião para conversar sobre a segurança dos militares”, informou a vice-presidente da associação.

“Nos reunimos muito com o ex-secretário de Segurança de Pública e cobramos melhorias para a Polícia Militar. Ele respondia que ‘ia verificar as demandas’. O tempo foi passando e não tivemos respostas e nem ações”, criticou cabo PM Cristina.

“A polícia precisa de melhor estrutura para se proteger e proteger a sociedade”, desfechou a cabo PM Cristina, ao lembrar que as guarnições ainda esbarram com problemas de falta de combustível e de manutenção de viaturas e motocicletas usadas no policiamento ostensivo. “A sede de alguns batalhões no interior do Estado estão em péssimas condições”, acrescentou.

O DIÁRIO solicitou um posicionamento da PM em relação situação de policiais ameaçados de morte e também sobre o programa de medidas protetivas em que eles estão inseridos, mas até o fechamento desta edição não recebemos resposta


(Denilson d’Almeida/Diário do Pará)

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