2 de dezembro de 2017

BRASIL - MULHER DE MINISTRO PEDE PROTEÇÃO CONTRA ELE.

Mulher de ministro do TSE pede medidas protetivas
Por suposta agressão, Élida Matos quer que Admar Gonzaga seja proibido de manter contato com ela; ele nega
POR ANDRÉ DE SOUZA 

Admar Gonzaga, ministro do TSE - Divulgação / TSE

BRASÍLIA — A dona de casa Élida Souza Matos pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) medidas protetivas contra o marido dela, o ministro Admar Gonzaga, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Élida, que chegou a se retratar de um boletim de ocorrência registrado por ela na polícia, reafirmou que foi vítima de agressão e solicitou que Admar seja proibido de entrar em contato com ela.

Em 14 de novembro, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, denunciou o ministro do TSE por violência doméstica e disse que houve ofensa à integridade física de Élida. Afirmou ainda que Admar exerceu intensa pressão psicológica para que ela mudasse a versão da história.

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Por ser integrante de Corte superior, Admar pode ser julgado apenas no STF, onde o processo é tocado pelo ministro Celso de Mello, relator do caso. Ele ainda não tomou decisão sobre as medidas protetivas solicitadas por Élida. Ela também pediu que Admar seja obrigado a manter seu plano de saúde, em razão dos problemas que tem, e a pagar 16 salários mínimos mensais: R$ 14.992.

No boletim de ocorrência feito em junho, ela contou que Admar despejou enxaguante bucal no seu corpo e a empurrou, pondo as mãos no rosto dela. Posteriormente, voltou atrás. Mas, em depoimento prestado ao Ministério Público Federal em 10 de novembro, Élida reafirmou o que disse à polícia. A pena prevista para o crime de violência doméstica é de três meses a três anos. O relato de Élida e da denúncia de Dodge é que a discussão começou após uma suspeita de traição de Admar.

“Em dado momento dessa discussão, Admar passou a agir de forma violenta e raivosa e pretendia, de qualquer forma, expulsar Élida do quarto e também da casa do casal. Ao empurrá-la com muita força e sofrer resistência — pois Élida estava imóvel e recusava-se a sair —, o denunciado, com a parte inferior de sua mão, atingiu o lado direito do rosto de Élida, causando edema e equimose violácea na região orbital direita”, escreveu Dodge, usando termos técnicos para se referir ao olho roxo de Élida.

No documento que pediu as medidas protetivas em 6 de novembro, a defesa de Élida argumentou que ela “se encontra inserida num ciclo de violência doméstica”. Alegou ainda que, na retratação feita, ela não chegou a negar a ocorrência da agressão.

O ministro, que nega ter agredido a mulher, não quis comentar os pedidos dela.

— Não quero me manifestar. Se ela está pedindo medida protetiva, não sei por que motivo. Não fui intimado ainda de nada. Não tenho nada a declarar — afirmou ao GLOBO o ministro Admar Gonzaga.

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