22 de maio de 2017

CASO JBS - MERCADO PUNE EMPRESÁRIOS FANFARRÕES!

Ações da JBS derretem na Bolsa e registram queda de mais de 30%
Investidores se desfazem de papéis por conta de notícias sobre corrupção e continuidade dos negócios; ações também despencam no exterior

As ações do grupo JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, derreteram na Bolsa nesta segunda-feira, 22, registrando um tombo de 31,34% no pregão de hoje, seu pior patamar desde o dia 5 de agosto de 2013. 

Os papéis chegaram a entrar em leilão em diversos momento durante os negócios - quando a Bolsa continua recebendo ofertas, mas não fecha negócio por conta do descasamento entre os preços de compra e venda. 

Também no exterior, os papéis da companhia negociados em Nova York também caíam 31,34% por volta das 17h50 (horário de Brasília). O Índice Bovespa abriu a semana em queda, registrando baixa de 1,54% no pregão de hoje.

Joesley Batista, Presidente da JBS, gravou conversa com o presidente Michel Temer Foto: Ayrton Vignola/AE

Analista da Guide Investimentos, Rafael Passos afirma que a operação da companhia é sólida e tem sido favorecida pela disponibilidade de gado e pela boa safra de grãos. No entanto, notícias sobre o acordo de colaboração premiada firmado pelos executivos do grupo no âmbito da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, fazem com que investidores vendam suas ações.

"Todas as notícias desfavoráveis devem continuar pressionando o papel", diz. Passos considera, porém, que as perspectivas para o segmento de carnes são boas, o que pode fazer com que o mercado olhe para outras empresas. "As ações da BRF podem se beneficiar", dá o exemplo. Na mesma faixa horária, as ações da rival BRF subiam 6,82%. 


Nesta tarde, surgiram ainda rumores dando conta que os passivos da companhia são grandes o suficiente para ameaçar a continuidade do seu funcionamento. Um dos pontos mais importantes é a fusão com o Grupo Bertin, realizada em 2009. Como apurou o Estado, na semana passada, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) está pedindo que a Justiça cancele o negócio, alegando fraudes fiscais e societárias. A procuradoria entende que não houve uma fusão, como foi anunciado, mas sim uma operação efetiva de compra e venda.

O grupo fez voluntariamente um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público, revelado na semana passada, que envolveu nomes de mais de 1,8 mil políticos, sendo um em cada três parlamentares em atividade no Congresso. Joesley chegou a gravar conversa com o presidente Michel Temer. Nela, o executivo afirma ter comprado o silêncio do deputado afastado Eduardo Cunha e manter boa relação com o parlamentar, preso também pela Lava Jato. O presidente concorda: "Tem que manter isso".

Na noite de sexta-feira, 26, expira o prazo dado pelo Ministério Público Federal para a holding controladora da empresa, o grupo J&F, aceitar pagamento de multa de R$ 11,2 bilhões para firmar um acordo de leniência com a companhia. O grupo, no entanto, contesta o valor e propôs fechar o acordo por apenas R$ 1 bilhão.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu na sexta-feira cinco processos administrativos para apurar denúncias de irregularidades em negócios nos mercados de capitais realizados pelas empresas, incluindo a JBS./COM RENATO CARVALHO

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