16 de dezembro de 2016

PARÁ - FILHO DE JATENE SE ENTREGA À POLÍCIA FEDERAL

Filho de Jatene se entrega à Polícia Federal

(Foto: Ney Marcondes)
Alberto (Beto) de Lima Jatene, acima, filho do governador do Pará, Simão Jatene, se entregou na sede Polícia Federal em Belém por volta das 17h dessa sexta-feira (16). De acordo com informações iniciais, ele entrou pelos fundos do prédio da PF. 

Alberto Jatene é um dos alvos de uma ação da Polícia Federal, que é realizada desde as primeiras horas da manhã desta sexta-feira (16) em 11 estados, incluindo o Pará, e no Distrito Federal. A missão dos policiais é realizar buscas e apreensões em 52 diferentes endereços relacionados com uma organização criminosa investigada por um esquema de corrupção em cobranças judiciais de royalties da exploração mineral (65% da chamada Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais – CFEM – tem como destino os municípios).

A Polícia Federal já esteve na casa de Beto Jatene na manhã de hoje, porém ele não foi encontrado. Alguns materiais foram apreendidos na residência, localizada na avenida Antônio Barreto, esquina com a Dom Romualdo de Seixas, no Umarizal, em Belém.

Inicialmente, o advogado de Beto Jatene, Roberto Lauria, disse que ele estaria viajando a trabalho, porém, na manhã de hoje, em entrevista ao Diário do Pará, ele garantiu que o cliente iria se apresentar ainda hoje. Por volta das 15h dessa sexta-feira (16), Roberto afirmou que estava "em contato com a família de Beto" para definir o horário que ele voltaria de viagem e se apresentaria à polícia. 

Alberto já deixou a sede da Polícia Federal, no início da noite de hoje, e foi encaminhado para realizar exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e depois ficará detido em uma cela de um quartel do Corpo de Bombeiros Militar (CBM), à disposição da Justiça Federal. 

O mandado de prisão temporária contra Beto Jatene é de 4 dias. O advogado disse ainda que, após a apresentação do cliente, ele seguirá para Brasília para tentar revogar a mandado de prisão, já que ele afirma que o filho do Simão Jatene não tem participação no esquema.

Durante a entrevista, Roberto Lauria disse ainda que não sabia detalhes do que se cliente estava sendo acusado, já que a investigação está sendo feita por Brasília. 

(Foto: via WhatsApp)



Policiais federais cumprem, por determinação da Justiça Federal, mandado de prisão temporária contra Beto Jatene. Confira:

Um mandado de prisão temporária foi expedido e será cumprido nesta sexta-feira. (Foto: reprodução)

As ações da PF acontecem nas seguintes unidades da federação: PA, BA, DF, GO, MT, MG, PR, RJ, RS, SC, SE e TO. No Pará são 21 buscas, 8 prisões temporárias e 11 conduções coercitivas. Já no Distrito Federal, 7 buscas, 2 prisões preventivas e 4 conduções coercitivas; Bahia, 2 buscas; Goiás, 1 busca, 1 prisão temporária e 2 conduções coercitivas; Minas Gerais, 5 buscas; Mato Grosso, 1 busca; Paraná, 1 busca e 2 conduções coercitivas; Santa Catarina, 10 buscas, 4 prisões preventivas e 8 conduções coercitivas; Rio de Janeiro, 1 condução coercitiva; Sergipe, 2 buscas e 1 condução coercitiva; Tocantins, 1 busca e Rio Grande do Sul, 1 intimação de comparecimento.

Em Belém, dos três mandados de prisão temporária, apenas um foi cumprido, além de 13 buscas e apreensão. Das nove conduções coercitivas, apenas uma falta ser cumprida.

Já em Parauapebas, das 5 prisões temporárias, três foram cumpridas, além das seis buscas e apreensão. Em Canaã dos Carajás, um mandado de busca e apreensão foi cumprido, assim como em Oriximiná.

Além das buscas, os 300 policiais federais envolvidos na ação também cumprem, por determinação da Justiça Federal, 29 conduções coercitivas, 4 mandados de prisão preventiva, 12 mandados de prisão temporária, sequestro de 3 imóveis e bloqueio judicial de valores depositados que podem alcançar R$ 70 milhões. 

O Juiz do caso determinou ainda que os municípios se abstenham de realizar quaisquer atos de contratação ou pagamento aos 3 escritórios de advocacia e consultoria sob investigação.

As provas recolhidas pelas equipes policiais devem detalhar como funcionava um esquema em que um Diretor do Departamento Nacional de Produção Mineral detentor de informações privilegiadas a respeito de dívidas de royalties oferecia os serviços de dois escritórios de advocacia e uma empresa de consultoria a municípios com créditos de CFEM junto a empresas de exploração mineral.

Até onde a Polícia Federal conseguiu mapear, a Organização Criminosa investigada se dividia em ao menos 4 grandes núcleos: o núcleo captador, formado por um Diretor do DNPM e sua esposa, realizava a captação de prefeitos interessados em ingressar no esquema; o núcleo operacional, composto por escritórios de advocacia e uma empresa de consultoria em nome da esposa do Diretor do DNPM, que repassava valores indevidos a agentes públicos; o núcleo político, formado por agentes políticos e servidores públicos responsáveis pela contratação dos escritórios de advocacia integrantes do esquema; e o núcleo colaborador, que se responsabilizava por auxiliar na ocultação e dissimulação do dinheiro.

Entre uns dos investigados por este apoio na lavagem do dinheiro está uma liderança religiosa que recebeu valores do principal escritório de advocacia responsável pelo esquema. A suspeita a ser esclarecida pelos policiais é que este líder religioso pode ter “emprestado” contas correntes de uma instituição religiosa sob sua influência com a intenção de ocultar a origem ilícita dos valores.

A Operação Timóteo começou ainda em 2015, quando a então Controladoria-Geral da União enviou à PF uma sindicância que apontava incompatibilidade na evolução patrimonial de um dos diretores do DNPM. Apenas esta autoridade pública pode ter recebido valores que ultrapassam os R$ 7 milhões.

Timóteo

O nome da operação é referência a uma passagem do livro Timóteo, integrante da Bíblia Cristã: os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição. 

(Com informações da Polícia Federal e Cintia Magno/Diário do Pará)

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