13 de março de 2016

BRASIL - PROTESTOS LEVAM ÀS RUAS MAIS DE 2 MILHÕES EM SÃO PAULO/SP. PETISTAS FAZEM PROTESTOS EM DESAGRAVO À LULA!

Manifestações em todos os Estados superam as de março de 2015


O ESTADO DE S. PAULO
13 Março 2016 | 18h 52 - Atualizado: 13 Março 2016 | 19h 15

Protestos tiveram como mote críticas ao governo Dilma e a defesa da operação Lava Jato; políticos da oposição também foram criticados em São Paulo

São Paulo - Todos os 26 Estados brasileiros e o Distrito Federal registraram manifestações contra o governo Dilma Rousseff e a favor da Operação Lava Jato neste domingo, 13. Protestos foram realizados no Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

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Em todo o Brasil, o movimento Vem Pra Rua estima que cerca de 5 milhões de pessoas foram às ruas se manifestar contra o governo Dilma. Todos os Estados brasileiros e 505 cidades foram palco dos atos pró-impeachment.

Mesmo nas estimativas mais conservadoras, os protestos deste domingo superaram as manifestações de março do ano passado, o maior movimento pró-impeachment até então. Na capital paulista, palco do maior ato realizado no Brasil neste domingo, os manifestantes dexaram no começo da noite a Av. Paulista, formando várias filas nas estações do metrô. Enquanto o movimento Vem Pra Rua estima 2,5 milhões de participantes, a Polícia Militar divulgou o número de 1,4 milhão de pessoas na Avenida e no entorno no pico da manifestação, às 16h15. O Datafolha, por sua vez, fala em 500 mil pessoas.

AVENIDA PAULISTA É TOMADA POR MANIFESTANTES VESTIDOS DE VERDE E AMARELO.
Daniel Teixeira / EstadãoManifestação>

A Polícia Militar chegou a restringir o acesso de pessoas à Avenida Paulista. O argumento foi o excesso de pessoas no local



O ato deste domingo foi o maior de São Paulo, conforme o instituto. O anterior, segundo o Datafolha, foi o das Diretas Já, em 1984 e que reuniu 400 mil pessoas. Ainda de acordo com o instituto, a maior manifestação anti-Dilma contou com 210 mil pessoas em março de 2015. Em determinado momento, a Polícia Militar chegou a barrar a ida de mais manifestantes para a avenida, pois a região estava lotada, o que não ocorreu nos protestos anteriores.

Houve grande movimentação de pessoas também no interior do Estado, em cidades como Ribeirão Preto (pelo menos 55 mil, segundo a PM e 100 mil de acordo com organizadores) e São José do Rio Preto (20 mil, segundo a PM e os manifestantes). Segundo a PM, as cidades do interior reuniram 400 mil pessoas nas manifestações.

Em Brasília, o ato foi marcado por uma boa presença de manifestantes, estimados em 100 mil pelo Governo do Distrito Federal e o isolamento, pela multidão, de políticos extremistas de direita e pastores evangélicos. Militantes do PT e simpatizantes da presidente aceitaram uma recomendação da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal para não comparecerem ao entorno da Esplanada dos Ministérios, local de concentração do protesto, e não houve confrontos nem qualquer incidente.

Embora o gramado em frente ao Congresso Nacional não tenha sido completamente tomado pela manifestação, a Polícia Militar do Distrito Federal estimou a presença de 100 mil pessoas na Esplanada no auge do protesto, por volta do meio-dia. Apesar das impressões de policiais e de outros agentes públicos sobre o número maior de pessoas em relação a eventos políticos de 2013 e 2015, a PM, no entanto, ponderou, que tem feito alterações na contagem de público. Neste domingo, por exemplo, as autoridades utilizaram drones para fazer as contagens. Em março de 2015 foram registradas 45 mil pessoas no ato na capital federal.

No Rio de Janeiro, onde também não foram divulgadas informações oficiais sobre o número de participantes, os protestos ocorreram até o início da tarde e encheram a orla de Copacabana. Organizações do movimento citaram entre 200 mil e um milhão de pessoas. 

Já em Belo Horizonte, onde os protestos também já se encerraram, 30 mil segundo a PM, ou 40 mil, de acordo com os organizadores, foram às ruas. Em Salvador, o protesto pedindo o fim do governo Dilma e em defesa das investigações da Operação Lava Jato, na capital da Bahia, na manhã deste domingo, superou a estimativa de público dos organizadores do evento. Enquanto eram aguardadas entre 6 e 7 mil pessoas, a PM citou cerca de 20 mil manifestantes.

A organização, formada por vários grupos como os movimentos Vem Pra Rua, e Revoltados Online, Ordem dos Médicos e outros, acreditava em mais de 50 mil pessoas presentes

O ato contou ainda com a participação de uma carreta de jipeiros, a "jipeata", que levava cartazes e boneco do ex-presidente Lula vestido de presidiário, grupos de ciclistas e motoqueiros. Estiveram presentes também alguns políticos de partidos de oposição, como os deputados federais Lúcio Veira Lima (PMDB), José Carlos Aleluia (DEM) e João Gualberto (PSDB), entre outros.

Agreste
Organizadores estimaram mais de 150 mil pessoas na manifestação em Pernambuco contra 50 mil de protestantes no ato de março de 2015. Tanto neste como no ano passado, a PM não divulgou balanço de público. No Estado, além do Recife, outras duas cidades registraram manifestações contra o governo: Garanhuns e Petrolina. As ações, segundo os organizadores, não têm vinculação com os movimentos Vem Pra Rua e Estado de Direito, que comandaram os atos na capital.

Em Garanhuns, cidade localizada no Agreste pernambucano, cerca de 250 pessoas, segundo cálculos do Batalhão de Polícia Militar na região, participaram de uma caminhada, no final da manhã, pelas principais ruas da área central do município. Garanhuns fica a 27 quilômetros de Caetés, terra natal do ex-presidente Lula.

Durante a manifestação, em alguns dos discursos os protagonistas pediram "desculpas ao Brasil, pelo filho corrupto que havia saído daquela região". Os participantes carregavam faixas e cartazes em apoio a Operação Lava Jato e em defesa do impeachment da presidente Dilma Rousseff e pedindo a prisão de Lula.

Em Goiânia, a PM calculou mais de 50 mil manifestantes. O movimento Vem Pra Rua, em Teresina, estimou em torno de oito mil protestantes. A PM do Piauí não quis estimar o número de pessoas. Na manifestação de março de 2015, cinco mil manifestantes participaram do ato pró-impeachment.

Em Palmas (TO), cerca de 7 mil pessoas participaram da manifestação. O número foi calculado pela Polícia Militar. Segundo os organizadores, os participantes chegaram a 30 mil. Ano passado, em março, foram 5 mil pessoas (PM), e 12 mil, de acordo com os manifestantes.

Em passeata e acompanhados por quatro carros de som, homens, mulheres, jovens e crianças, liderados por ciclistas e motoqueiros, percorreram os três quilômetros de extensão da Praça dos Girassóis, sede dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Tocantins. Convocado pelo Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livres e Associação Comercial de Palmas (Acipa), o movimento também contou com o apoio da Loja Maçônica Luz Pioneira. Durante a concentração, integrantes da Polícia Federal colheram assinaturas de apoio à PEC 421, que garante autonomia à corporação.

Piauí. O movimento Vem Pra Rua, em Teresina, estimou em torno de 8 mil o total de manifestantes na Avenida Raul Lopes, concentrados na ponte estaiada, protestando contra a corrupção e pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a prisão do ex-presidente Lula neste domingo. A Polícia Militar do Piauí não quis fazer estimativas de público.

O movimento pró-impeachment é considerado o maior na capital do Piauí desde a primeira manifestação realizada no dia 15 de março de 2015, que reuniu cerca de 5 mil pessoas na Avenida Marechal Castelo Branco, em frente à Assembleia Legislativa.

Cerca de 25 mil pessoas - segundo a Polícia Militar de Alagoas - e 30 mil, na opinião dos organizadores - participaram, na manhã deste domingo, do ato organizado pelo Movimento Brasil Live (MBL) em Maceió. Com gritos de Fora Dilma e pedidos de prisão para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os manifestantes percorreram cerca de 3 km, entre as orlas da Jatiúca e Ponta Verde - a chamada área nobre da capital alagoana.

Rio Grande do Norte. Para os organizadores do protesto deste domingo em Natal o número de participantes foi 20 mil. Mas a Polícia Militar estimou em 9 mil pessoas. O ato ocorreu na Praça Pedro Velho, conhecida como Praça Cívica, no bairro de Petrópolis, centro da capital potiguar.

O protesto começou às 15h e duas horas depois o público já estava se dispersando. Com cartazes, vestidas de verde e amarelo, bandeiras do Brasil e com gritos de ordem, os manifestantes protestaram contra a presidente Dilma, o ex-presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores. Mais de 300 policiais militares estavam no entorno da manifestação. O evento foi classificado como tranquilo pela Polícia Militar. Aline Bronzati, Gustavo Porto, Marília Assunção, Luciano Coelho, especiais para AE e Equipe AE

Lula sai à rua e é ovacionado por militantesCerca de 400 pessoas fazem ato em favor do ex-presidente, em São Bernardo

POR LAURO NETO
13/03/2016 9:41 / atualizado 13/03/2016 13:48


SÃO BERNARDO DO CAMPO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu apoio de militantes, na manhã deste domingo, em frente ao seu apartamento, em São Bernardo do Campo. Para agradecer às cercas de 400 pessoas — segundo a Polícia Militar — que se posicionam em frente a sua residência desde as 8h, o petista saiu de seu prédio, no início da tarde, para falar com o grupo. Ele deu alguns passos, tirou foto com manifestantes e voltou para dentro do edifício em poucos minutos, já que fora “engolido” por seus apoiadores.
Ex-presidente Lula agradece apoio de militantes na porta de sua residência - Edilson Dantas / Agência O Globo

O ato em solidariedade ao petista, organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, começou por volta das 8h. A expectativa dos organizadores era reunir entre mil e 1500 pessoas. Já a PM, que convocou um contingente entre 80 e 100 homens, estima que compareçam entre 600 e 800 manifestantes.

De acordo Geraldo Maranim, o Gegê, uma das lideranças do sindicato, a manifestação é pacífica, em desagravo a Lula.

— É um ato em solidariedade a ele, após o pedido de prisão, que é uma das coisas mais incabíveis na história do meio jurídico — disse Gegê.
Cerca de 400 pessoas fazem vigília em frente à casa de Lula, em apoio ao petista - Edilson Dantas / Agência O Globo

O presidente do PT em São Bernardo do Campo, Brás Marinho, e o secretário municipal de Serviços Urbanos, Tarcisio Secoli, estiveram no apartamento de Lula por uma hora.

— Ele está para cima, feliz por conta da solidariedade não só aqui, mas no Brasil inteiro. Quem é inocente não deve nada, não tem nada a temer — disse Marinho.
Militantes petistas se concentram em frente à casa do ex-presidente Lula - Edilson Dantas / Agencia O Globo

Na sacada embaixo do apartamento de Lula, há uma bandeira do Brasil estendida. A União da Juventude Socialista (UJS) também colocou uma enorme faixa com os dizeres “Não vai ter golpe” na saída do estacionamento do prédio onde o ex-presidente mora.

Cerca de 30 jovens da UJS chegaram com instrumentos de percussão, em frente ao Hospital ABC, ao lado do prédio de Lula, gritando palavras de ordem como “Não vai ter golpe!” e “Lula guerreiro! Do povo brasileiro!”. Eles também improvisam paródias de funks cariocas como “Tô ficando atoladinha”: “Vai ‘impeachtmar‘ a Dilma? Não, não! Vou apoiar! Eu vou apoiar a Dilma (repete 3 vezes)! Calma, calma, burguesia!”.

Na Avenida Francisco Prestes Maia, que teve um trecho interditado para a manifestação, militantes seguram principalmente bandeiras da CUT, do PT em menor parte, e até do Brasil.
Militantes petistas colocam faixas em apoio a Lula em frente à residência do ex-presidente - Edilson Dantas / Agência O Globo

A cor predominante não é o vermelho do PT. Grande parte dos manifestantes usa uma camisa com a clássica foto de Lula fichado pelo Dops, com os dizeres "Lula vai responder por: Prouni, Reuni, Fies, Enem, Pronatec, Luz Para Todos, Cotas, Pró Jovem, Ciências Sem Fronteiras", em referência aos programas sociais da sua gestão.

Duas faixas foram grafitadas com as frases "Lula é meu amigo: mexeu com ele, mexeu comigo" e "Juventude na luta com Lula". Uma kombi do sindicato recolhe alimentos e doações para as vítimas das enchentes na Grande São Paulo, e um carro de som toca jingles de Lula e discursos do ex-presidente.

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