16 de novembro de 2015

RONDA PAGA PELA ARROGÂNCIA. HOLM É COROADA!

Ronda paga pela arrogância e Holm é coroada em seu 2º esporte
Fernando Arbex 
16 novembro 2015 | 12:45

Luta principal do UFC 193 expôs o quanto a ex-campeã peso galo do Ultimate era lunática em se achar uma boxeadora de elite

Quem acompanha meus posts neste blog deve ter percebido que eu não sou nada fã da técnica em pé de “Rowdy” Ronda Rousey, a agora ex-campeã peso galo do Ultimate. E quem assistiu ao UFC 193 deve ter entendido o porquê. Holly Holm deu uma aula na rival e vai voltar de Melbourne com o título da categoria, contrariando todas as expectativas – inclusive a minha – de que ela não seria páreo para combinação de judô com jiu-jitsu da adversária.
Crédito: Paul Crock/AP

Todo mundo tem um plano… Se havia pouco parâmetro para supor que a nova detentora do cinturão seria capaz de se defender das quedas e chaves de braço de Ronda, era óbvio que na trocação ela teria ampla vantagem. Diferentemente de outras lutas, a ex-judoca olímpica não partiu para cima da oponente em busca do clinch, fato que foi comentado pelo narrador oficial do UFC, Mike Goldberg. A estratégia logo se mostrou errada e Holm aproveitou a distância para fazer seu jogo tradicional de circular e bater, típico da ex-pugilista campeã mundial que foi antes de migrar para o MMA.

Ronda até tentou mudar de plano, buscou o clinch algumas vezes e ensaiou pegar a desafiante com uma chave de braço após falhar em aplicar uma queda de judô e ambas caírem emboladas no chão. De pé de novo, a canhota Holm se defendeu de outras tentativas de ser levada para o solo e continuava conectando diretos com a mão esquerda, em combate que parecia de uma profissional contra uma amadora – o que, aliás, era a mais pura verdade, pelo menos na área do striking. 

Ronda passou vergonha em alguns momentos

“Rowdy” cometia erros grosseiros, ela andava para frente em linha reta e, consequentemente, não conseguira cortar os espaços do octógono para enquadrar uma adversária que dançava sem nenhuma incômodo. Holm continuou acertando socos de encontro, desferiu uma linda cotovelada, deu chutes oblíquos – aqueles à la Jon Jones, nos joelhos – e até arremessou a rival no chão antes do fim do primeiro round. Já no segundo, Ronda caiu de joelhos duas vezes em pivôs que nova campeã fez e de um desses episódios saiu o chute nocauteador. Aqui o vídeo dos últimos momentos da luta.

CEGUEIRA
 
Não quero aqui pagar de sabichão – até porque eu acreditava na vitória de Ronda -, mas essa falha no jogo dela era bem evidente. Como dito aqui e aqui, a ex-detentora do título tem um comportamento infantil e arrogante, por mais de uma vez ela se declarou capaz de competir no boxe de alto nível e qualquer análise imparcial deixava claro que isso era forçação de barra. E não é demérito ser falho em uma área, desde que o atleta admita isso e use a seu favor. Alguém com jogo de quedas tão perigoso abre espaços para conectar socos e chutes que podem encerrar lutas, mas se achar um perito no striking por causa disso é exagero.

Ronda terá sua revanche contra Holm e no mínimo se espera que adote uma estratégia mais adequada. O surpreendente é que a nova campeã manteve a compostura durante todo o combate, não se afobou e evitou ir para o solo quando foi necessário. Experiência provavelmente adquirida de seus anos de sucesso no boxe, o que deixa o quadro ainda pior para “Rowdy” no futuro no encontro.

A Ronda resta entender que arrogância em si não necessariamente é um problema esportivo, mas pode atrapalhar um atleta quando ele se torna cego para seus os erros e a superioridade do oponente em uma certa área. Seguindo os passos de Mike Tyson, ela atropelou rivais até perder seu título quando todos a julgavam invencível, agora é esperar para ver como será sua volta.

APOSENTADORIA
 
Antônio “Pezão” Silva foi nocauteado em seis de suas últimas dez lutas e, aos 36 anos, não vejo razão para ele continuar lutando. O atleta paraibano era, acho eu, o único lutador de MMA com uma justificativa correta para usar o TRT, o que não é mais permitido, e parece que é algo que vem afetando seu desempenho. “Pezão” nasceu com acromegalia, síndrome grosseiramente chamada de “gigantismo”, que reduz sua produção de testosterona. Sua carreira teve notáveis pontos altos e não acharia legal vê-lo sujando seu cartel ainda mais.

Reações:

0 comentários: