3 de novembro de 2015

CASO CBF - MARIN DÁ R$56 MILHÕES E 'APÊ' PARA GARANTIR PRISÃO DOMICILIAR NOS EUA!

Marin dá R$ 56 milhões e apartamento para garantir prisão domiciliar nos EUA


Em audiência, ex-presidente da CBF se declara inocente e vai aguardar julgamento em seu apartamento

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No dia 27 de maio de 2015, às vésperas do Congresso da Fifa, Marin (de óculos) foi preso acusado de corrupção junto com outro 6 cartolas
Começou nesta terça-feira (03/11) o processo de José Maria Marin, o ex-presidente da CBF, que foi extraditado de Zurique para os EUA. Ele foi oficialmente acusado de fraude, conspiração e lavagem de dinheiro, com a possibilidade de ser condenado a 20 anos de prisão. Mas, por um acordo, pagou US$ 15 milhões e vai poder acompanhar o processo em prisão domiciliar. Marin se declarou inocente e sua esposa, Neusa Marin, teve de assinar documentos para garantir sua fiança. Seu apartamento em Nova Iorque, avaliado em US$ 3,5 milhões, também foi confiscado como parte das garantias e ele teve de entregar mais US$ 1 milhão.

A primeira audiência durou poucos minutos e um novo encontro foi marcado para o dia 16 de dezembro.
Marin foi jogador profissional durante 5 anos antes de ir para a política, onde se filiou ao partido da Arena e atuou no regime civil-militar
Por um acordo, ele ainda ficará proibido de manter qualquer tipo de contato com Ricardo Teixeira e Marco Polo del Nero até o fim do processo, o que promete levar anos. Em troca, poderá aguardar o processo em prisão domiciliar. 

Antes mesmo de chegar à CBF, Marin já era conhecido por ter 'embolsado' uma medalha de ouro da Copa São Paulo de Futebol Junior
Algemado e em classe econômica, ele embarcou em um voo na cidade suíça, colocando um fim a mais de cinco meses de prisão, desde 27 de maio. O brasileiro foi quase imediatamente levado à sua primeira audiência, com o juiz Raymond Dearie. 

Um intérprete local já foi convocado e Marin se declarou inocente. Mas terá de colaborar com a Justiça. Também estarão os promotores Brian Morris, Darren La Verne, Evan Norris, Keith Edelman, Samuel Nitze, Amanda Hector e Kristin Mace.

Graças a um acordo pré-estabelecido com o FBI, o brasileiro vai permanecer em prisão domiciliar, em seu apartamento na Quinta Avenida e terá de pagar a fiança milionária. Outros suspeitos no caso pagaram entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões. 

Ele ainda aceita "colaborar" com a investigação e coloca uma parte significativa de seus bens nas mãos da Justiça. Isso vai incluir até mesmo uma garantia assinada por sua esposa. Por enquanto, Marin não teria obrigações de delatar ninguém. Mas a Justiça americana garante que voltará a colocar o assunto sobre a mesa. Um dos focos dos americanos é o de traçar o envolvimento de Kleber Leite, Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira.

Sua viagem foi blindada pelas autoridades suíças e americanas. A extradição apenas foi anunciada quando o avião aterrizou em Nova Iorque. Sua esposa, Neusa, sequer pode ir ao aeroporto e o aguardou em seu apartamento, em Manhattan. No avião, dois policiais americanos o acompanharam. 

Hoje, ele vai iniciar o depoimento escutando a série de crimes pelos quais é acusado. Ele é acusado de ter recebido e compartilhado propinas para a Copa do Brasil e para a Copa América. 

Marin terá de pagar por cada privilégio que solicitar. Em seu apartamento, usará uma braçadeira eletrônica. Mas a empresa contratada para prestar o serviço cobrará pelo uso do dispositivo e será o brasileiro quem pagará por ela. 

Marin foi o último entre os sete cartolas da Fifa presos em maio a ter seu caso avaliado pelos suíços. Foi a negociação para sua prisão domiciliar que acabou atrasando uma definição sobre o brasileiro que, em junho, havia entrado com recurso na Suíça para não ser extraditado. Enquanto isso, seus advogados se lançaram em um diálogo com o Departamento de Justiça para garantir que, em uma ida aos EUA, o ex-presidente da CBF receberia certos privilégios.

PROIBIÇÃO

Como as investigações continuam, Marin ficará impedido de manter qualquer tipo de contato com Del Nero, Teixeira ou Kleber Leite, da Klefer, um dos parceiros da CBF. Se violar esse princípio, irá imediatamente para uma cadeia em Nova Iorque. A meta dos investigadores é a de impedir que Marin possa repassar informações do processo aos ex-companheiros de comando na CBF. Marin foi o vice-presidente de Teixeira e, de forma constante, consultava o dirigente em Miami sobre os destinos da entidade.

Del Nero, atual presidente da CBF e que não deixa o Brasil desde que voltou daquele Congresso da Fifa em que Marin foi preso, era o homem que acompanhava diariamente as atividades de Marin e foi escolhido como o sucessor do dirigente. Aos advogados suíços, Marin não conseguiu negar que os fatos apontados no indiciamento são falsos. Num primeiro encontro ainda na prisão no início de junho, o brasileiro se dizia inconformado com as acusações e o fato de ele estar preso. Mas, na reunião seguinte e ao ser confrontado com o ato de acusação, Marin mudou radicalmente de tom. Sua frustração teria sido com o comportamento de J. Hawilla, da Traffic, o empresário que o gravou em uma conversa pedindo propinas para a Copa do Brasil.

Após o fiasco da seleção na Copa de 2014, Marin enxergou a solução em outro ex-treinador do Brasil: Dunga

Seus advogados nos EUA optaram por sair em busca de um acordo, no mesmo padrão que vingou para Jeff Webb, o ex-vice-presidente da Fifa. O cartola entregou relógios de luxo, propriedades, carros e até o anel de noivado de sua esposa. Mas o acordo esbarrava em outro problema: quem pagaria a conta da fiança. O ex-dirigente indicou que não estaria disposto a arcar sozinho com a conta da fiança, que pode chegar perto de US$ 10 milhões.

A Justiça na Suíça também colaborou e aguardou por um acordo entre Marin e os americanos, antes de dar sua posição. Isso porque, se os suíços o extraditassem pelas vias legais, Marin chegaria aos EUA eventualmente sem um acordo, deixando-o em uma posição de maior vulnerabilidade. Por isso seu processo levou mais de cinco meses e acabou sendo o último dos sete cartolas presos em maio a ser tratado.

Com todos esses aspectos solucionados, a Justiça suíça então convocou Marin para uma audiência na terça-feira passada e o questionou se ele estaria disposto a ir voluntariamente aos EUA. A resposta foi 'sim'.


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