16 de novembro de 2015

AS LOROTAS DE CUNHA E A LENIÊNCIA DO PT!

Editorial revista IstoÉ

N° Edição: 2398

Eduardo Cunha, pres. da Câmsrs dos Deputados

"AS LOROTAS DE CUNHA" Carlos José Marques, diretor editoria


Mais uma bofetada moral está sendo desferida contra os brasileiros. A continuidade sem fim da novela Eduardo Cunha, que permanece à frente da presidência da Câmara dos Deputados a despeito das inúmeras provas de seus malfeitos, se dá graças ao contubérnio com parlamentares da mesma laia que se acham acima da lei e ignoram qualquer compromisso com a decência pública. Em um pacto pela sobrevivência, 12 legendas governistas – com o discreto aval do PT e do Planalto – ratificaram uma nota de “total apoio e confiança” a gestão Cunha. Como assim? Diante de tantas lorotas que emitiu, após ser acusado de envolvimento com o Petrolão e de ocultar um fabuloso patrimônio no exterior, ele ainda goza do respaldo oficial de parte de seus pares? Lula já havia pedido aos correligionários para deixarem o antes arqui-inimigo em paz. Mensagem absorvida. Muitos foram além. Trataram de negociar uma base de sustentação a Cunha. O receio do impeachment da presidente era maior e, por conveniência, foram esquecidas temporariamente as diferenças. A oposição, liderada pelo PSDB, desembarcou do grande arranjo pró-blindagem que estava sendo armado no Congresso a favor de sua duração no cargo por mais algum tempo. Os petistas entenderam a debandada tucana como uma oportunidade de trazer o cacique para as hostes aliadas de onde, juntos, poderiam disparar impropérios contra as investigações, a Lava-Jato e quetais. Em suma, montaram o conluio. Não disfarçam nem as intenções por trás dessa aliança espúria. Ao contrário. Todo acordão é tratado a céu aberto e soa como um descarado deboche à sociedade. Dentro e fora de Brasília viraram piada as desculpas de Cunha para o seu enriquecimento em esquemas duvidosos. Primeiro ele negou possuir contas no exterior. Surgiram as provas cabais desse patrimônio. Depois alegou ser “usufrutuário” de um dinheiro que nem sabia existir. Mais adiante falou em negócios com carne moída para o Zaire. Apresentou o carimbo no passaporte de 37 viagens ao continente africano, tal qual um caixeiro-viajante, por conta das tratativas milionárias. Apareceu o nome de sua própria mãe como senha, além de dados pessoais da família, para acessar as informações das referidas contas. E a história foi ficando tão rocambolesca quanto risível para a maioria. A cada passo, a cada nova revelação, Cunha se embaralhou mais. Tentou explicar o inexplicável. E, mesmo assim, certamente por medo de seu contra-ataque, não houve sequer um parlamentar petista que tenha se contraposto a seus argumentos. Nenhuma ponta de dúvida ou de contestação a seus desmandos partiu de lá. Cunha é temido na esfera federal por ameaças e ações. Quebra o decoro na maior desfaçatez, articula o toma-lá-dá-cá na base do “eu não lhe condeno pelos seus erros, nem você me destitui pelos meus” e o País que se vire com os políticos que ingenuamente elegeu.

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