27 de maio de 2015

CASO CBF - ROMÁRIO TEM RAZÃO SOBRE MARIN. O CARA ESTÁ TODO ENROLADO!

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE EM ZURIQUE - O ESTADO DE S. PAULO

27 Maio 2015 | 12h 15
Valor diz respeito a esquema da Copa América de 2019, no Brasil

A administração de José Maria Marin teria cobrado propinas milionárias para fechar contratos comerciais e ceder competições a outros países. Investigações conduzidas pela Justiça americana e pelo Ministério Público da Suíça revelam que o ex-presidente exigia pagamentos e chegou a alertar parceiros comerciais que os valores de propinas pagos ao seu antecessor, Ricardo Teixeira, deveriam agora ser redirecionados a ele.

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Num dos pagamentos, a CBF teria ficado com propina de US$ 20 milhões (R$ 63 milhões) para contratos comerciais envolvendo a Copa América de 2019 no Brasil. No total, os contratos oficiais estavam avaliados em US$ 80 milhões (R$ 254 milhões).
José Maria Marin
Marin ainda teria cobrado R$ 2 milhões por ano de parceiros comerciais para a realização da Copa do Brasil enquanto foi presidente da CBF, até abril último, e tentou negociar o fim dos pagamentos de propinas para Ricardo Teixeira, seu antecessor, transferindo os lucros para suas contas. Nesta manhã, ele foi um dos presos na Fifa pela polícia suíça a pedido do FBI nos EUA. 


Segundo a investigação americana, a CBF teria cobrado propinas de parceiros para que tivessem o direito de transmissão dos eventos. O valor, porém, subiu quando Marin assumiu a presidência, em 2012. Marco Polo Del Nero, presidente atual da CBF, saiu nesta manhã em defesa de Marin, alegando que todos os contratos eram da época de Ricardo Teixeira. O cartola brasileiro que está preso na Suíça aceitou dividir os R$ 2 milhões anuais com outros dois dirigentes esportivos, não mencionados. Parte do pagamento foi feito por meio de contas no banco Itaú de Nova Iorque para outra no HSBC de Londres. Numa delas, o dinheiro ia para uma conta de uma empresa que fabrica iates de luxo. 

Em abril de 2014, segundos documentos, Marin usou uma coletiva de imprensa nos EUA para, nos bastidores, falar da Copa América para negociar o fim de pagamentos a Ricardo Teixeira. No encontro, segundo a Justiça americana, Marin declarou: "Chegou a hora de vir em nossa direção. Verdade ou não?". O interlocutor, não identificado, apenas respondeu: "Claro, claro. O dinheiro teria de vir para o senhor". Marin respondeu: "Está certo". 

As propinas, se acordo com as investigações, não começaram com José Maria Marin. Desde 1990 e até 2009, a investigação americana indica que um "alto funcionário da Fifa e da CBF solicitou receber propinas em conexão com o contrato de venda dos direitos da Copa do Brasil (competição regional no País)". Marin ainda recebeu em 2013 mais US$ 3 milhões (R$ 9 milhões) em propinas por contratos da Copa América, pagos pela empresa Datisa.

Outra constatação é de que a Nike pagou uma propina de US$ 40 milhões em uma conta na Suíça para fechar um contrato com a CBF para patrocinar a seleção brasileira. Em comunicado, a Nike disse as acusações são sérias e que repudia qualquer forma de manipulação. "Nós já estamos cooperando, e seguiremos na cooperando, com as autoridades", informa a nota.

A informação faz parte da investigação conduzida nos EUA e que acabou com a prisão de José Maria Marin, ex-presidente da CBF. Marin permanece detido na Suíça. Segundo o levantamento, o acordo avaliado em US$ 140 milhões (R$ 127 milhões) rendeu em pagamentos paralelos e depositados no paraíso fiscal alpino. As suas duas empresas que teriam recebido o dinheiro seriam a Traffic Sports International Inc. E a Traffic Sports USA Inc., que estão sediadas na Flórida (EUA). Ambas são citadas pela Justiça americana. Os suíços já indicaram que contas foram bloqueadas.

Marco Polo del Nero, presidente da CBF, se recusou a comentar o contrato da Nike. "Isso é algo antigo ", resumiu o cartola. O dirigente participa de uma reunião de emergência em Zurique com parceiros sul-americanos e deixou claro que a responsabilidade pelos contratos é de Ricardo Teixeira, ex-presidente da entidade. " Eu não sabia de nada ", declarou.

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