2 de dezembro de 2012

SEM DOR E BARATA.


Mais barata e quase indolor, fotodepilação chega como alternativa ao laser

CYNTHIA COSTA



A promessa é bastante atraente: eliminar os pelos de qualquer parte do corpo por um longo período, como na depilação a laser, gastar pouco, como na depilação com cera, e tudo isso sem dor.
É o que oferece a fotodepilação --ou depilação a luz pulsada intensa (IPL, na sigla em inglês)--, a mais nova tecnologia para o tratamento dos pelos. Já bastante difundida no mundo e cada vez mais presente nas grandes cidades brasileiras, a nova técnica parece ter chegado para ficar.
"Mas ainda temos um mundo para desbravar, já que os brasileiros são muito habituados à depilação com cera", diz Vitor Salla, diretor de expansão da Não+Pêlo, uma franquia espanhola que aterrissou no país há três anos e, só no Estado de São Paulo, já contabiliza 90 filiais, 30 delas espalhadas pela capital.
Ilustrações Estudio Polyester
A fotodepilação segue o mesmo princípio da depilação a laser: a luz destrói as células germinativas do pelo, de modo que ele só volte a nascer quando essas células estiverem regeneradas, o que pode levar de meses a anos, ou nunca mais acontecer.
A diferença é mesmo na experiência: no caso do laser, a luz penetra nas camadas sensíveis da pele, causando pequenos choques e, algumas vezes, até algumas queimaduras.
Já a luz pulsada usa o próprio pelo como condutor até a raiz, onde ficam as células que serão atingidas. Pode ser menos duradoura que o laser, mas é também menos agressiva e praticamente indolor.
"A luz pulsada tem temperatura bem menor, por isso há menos riscos de queimaduras e menor incidência de descolorações temporárias na pele, mais frequentes com o laser", explica a dermatologista Ligia Kogos, que realiza a técnica na clínica que leva seu nome, na região oeste da cidade.
Há somente um porém: a presença de melanina, a proteína que dá cor à pele, é essencial no pelo, pois é ela que conduzirá a ação da luz.
Dessa forma, a fotodepilação, bem como o laser, não funciona em pelos muito claros. Por outro lado, também não é indicada para peles morenas e negras, nas quais pode causar pequenas manchas ou queimaduras. Ou seja: a pele clara com pelos escuros é a grande privilegiada do método.
Qualquer parte do corpo pode passar pelo tratamento -ele só não é indicado para as áreas da orelha e nariz, por serem hipersensíveis, e também em gestantes. Virilha e axila são as regiões mais comuns, e é possível fazer até no buço. Dependendo da pessoa, é possível que haja algum inchaço ou vermelhidão após a sessão, mas nada alarmante, garantem os profissionais.
Com tudo certo, depois de oito a 12 sessões, feitas em intervalos de 20 dias, os pelos terão diminuído em cerca de 80%. Depois disso, além de pequenos retoques de rotina com cera ou lâmina, costuma ser necessário voltar após alguns meses para mais algumas sessões de manutenção, que garantirão maior durabilidade ao tratamento.
"Três sessões são suficientes para manutenção", afirma Priscila Moreira, técnica em estética da D'pil, rede brasileira aberta há cerca de três anos e uma das primeiras a trazer a fotodepilação para o país.
NOVIDADE NO MERCADO
Apesar da promessa de tantas vantagens, o conhecimento da fotodepilação no mercado ainda é pequeno e tem bastante espaço para crescer: nos cálculos das redes, só cerca de 20% do público que busca depilação no Brasil sabe da existência da luz pulsada.
"As empresas estavam, até aqui, preocupadas em se estruturar e abrir o mercado. Agora sim vamos investir em marketing", diz Marlon Sampaio, diretor-executivo da D'pil.
E não é difícil imaginar que, uma vez que esteja mais difundido, o método vire moda entre mulheres e homens -eles, aliás, correspondem a 40% do público.
Além da menor intensidade da dor, outro grande atrativo da novidade é o custo-benefício: cada sessão custa por volta de R$ 60, preço não muito mais caro do que os praticados na depilação com cera --a diferença é que esta precisa ser feita com muito mais frequência e durante a vida toda.
Para investidores, também parece um bom negócio, e o que explica a rápida proliferação das franquias: enquanto a depilação a laser exige que a manipulação seja feita por um dermatologista, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) permite técnicos em estética para a fotodepilação. Resultado: mão de obra mais acessível e barata.
"Além disso, a fotodepilação trabalha o colágeno da pele e rejuvenesce a área, coisa que as outras depilações não fazem", lembra Vitor Salla, da Não+Pêlo.

Ilustações Estudio Polyester

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