9 de novembro de 2012

APÓS EXECUÇÃO, FIM DA OPERAÇÃO

POLICIA FEDERAL SUSPENDE OPERAÇÃO ELDORADO APÓS CONFRONTO COM ÍNDIOS MUNDURUKU NA ALDEIA TELES PIRES



Tiroteio em terra indígena terminou com pelo menos oito feridos.
Operação Eldorado era para combater extração ilegal de ouro.

Do G1
 
A Polícia Federal em Mato Grosso decidiu suspender temporariamente a Operação Eldorado, de combate à extração ilegal de ouro em terras indígenas, devido ao confronto entre agentes da Polícia Federal e índios na aldeia Teles Pires. No confronto houve tiroteio e pelo menos oito pessoas ficaram feridas, sendo seis índios e dois policiais.

 
De acordo com a Polícia Federal, nesta quarta-feira (7), policiais federais estavam em uma área de preservação ambiental no Rio Teles Pires, no Norte de Mato Grosso, para combater crimes de sonegação fiscal e exploração ilegal de ouro. Índios da etnia Mundurukú teriam tentado impedir que os agentes da Polícia Federal destruíssem dragas que seriam utilizadas em um garimpo ilegal.

No confronto, dois indígenas foram atingidos por tiros e policiais federais acabaram sendo atacados a flechadas e disparos de arma de fogo. O G1 apurou que os índios foram levados, em estado grave, de helicóptero para atendimento no Hospital Regional de Alta Floresta. Já os agentes da PF receberam os primeiros-socorros ainda no local.

"A execução da operação foi suspensa temporariamente e, neste momento, o Departamento de Polícia Federal, a Fundação Nacional do Índio (Funai), a Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (Sesai/MS), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Ministério do Meio Ambiente prestam toda a assistência necessária aos indígenas e policiais", diz um trecho da nota enviada pela Polícia Federal à imprensa.

A operação
Dezesseis pessoas foram presas na terça-feira (6) durante a Operação Eldorado deflagrada pela Polícia Federal em Mato Grosso e mais seis estados (Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Rondônia, Pará e Rio Grande do Sul). Ao todo, a Justiça Federal de Mato Grosso expediu 28 mandados de prisão temporária e mais 64 mandados de busca e apreensão. Das 16 prisões, duas foram cumpridas em Cuiabá. Outros oito mandados de prisão foram cumpridos em Porto Velho (RO) e mais seis distribuídos entre os estados envolvidos na operação.
Segundo a PF, ouro era extraído em terras indígenas (Foto: Assessoria/PF)
Segundo a Polícia Federal, ouro era extraído de
terras indígenas ilegalmente (Foto: Assessoria/PF)
 
Segundo a PF, garimpos clandestinos foram localizados ao longo do Rio Teles Pires, na região Amazônica, sendo que 16 dragas foram interditadas. Um das empresas suspeitas de participar do esquema teria movimentado mais de R$ 150 milhões. O proprietário é uma das pessoas que foram presas em Cuiabá. Com ele, a polícia apreendeu aproximadamente 20 quilos de ouro, avaliados em cerca de R$ 2 milhões.

O delegado Wilson Rodrigues de Sousa explicou que a organização criminosa ‘esquentava’ as notas fiscais do ouro extraído ilegalmente. As investigações, que duraram 10 meses, analisaram 40 mil notas fiscais, um procedimento que permitiu quantificar o ouro movimentado pelos suspeitos. “O ouro era extraído de garimpos ilegais, inclusive em terras indígenas. A partir daí eles são vendidos para postos de compra de ouro que são parte do sistema de distribuidora de títulos e valores imobiliários e desses postos esse ouro vai para São Paulo, onde era comercializado como ativo financeiro para investidores”, explicou Sousa.
 

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